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sábado, 23 de maio de 2009

Humanos X Cães - Por Ivan Chitolina

Educar um cão dentro do convívio familiar e social não é tão simples quanto parece. A começar pelas nossas projeções afetivas em relação a eles. Logicamente essas projeções na maioria das vezes não contribuem positivamente para fornecer-lhes linhas de condutas saudáveis, pois elas somente tem a ver com a história de vida afetiva de cada indivíduo (humano). Assim sendo, cabe a cada futuro proprietário de um cãozinho, antes de adquiri-lo, realizar uma extensa reflexão sobre seus próprios afetos e que lugar da família esse novo integrante da casa irá ocupar. Ele será o depósito de raivas e agressividades? Ele irá ocupar o lugar de adorno para exibição pública e do meio social no qual esse dono convive? Na dinâmica familiar ele irá disputar o mesmo lugar (lugar não como território, mas sim como projeção afetiva) que seu filho ou filhos estão? Ele será uma compensação da insegurança e falta de autonomia do dono, de forma que o mesmo necessite de um Pitt-Bull ou Rotweiller puxando a guia durante o passeio e anti-social, demonstrando uma "segurança" e autonomia que o dono não tem? Enfim, começaram a se dar conta de que essas questões são muito mais profundas do que simplesmente banir e degradar uma raça inteira?Logicamente existem várias questões comerciais envolvidas em uma raça. Desde o momento da venda, dos criadores e da falta de leis e fiscalizações dos órgãos responsáveis, mas eu não irei me aprofundar nessas questões nesse artigo.Cães não são humanos e tampouco crianças. Trata-se de um cão, com seus elementos inatos (instintos) e com sua sociabilidade e suas emoções. Vejo muitos donos caírem no erro de que ele irá criar as emoções de seu cão e seus sentimentos. Acredite, ele tem sua personalidade e a expressará. Cabe ao dono guiar essa personalidade que vai se manifestando, para um sentido social válido. Mais uma vez para confirmar, não pensem que educar um cão é igual a educar uma criança.Com um pouco de esforço você enxerga as diferenças entre você e ele. Enxergando isso, permita-lhe que ele seja ele mesmo. Não queira que ele se adapte ao seu modo de enxergar o mundo, você é que deve se adaptar ao modo de viver canino dele. Afinal, somos seres racionais ou não somos? As vezes eu me pergunto: o que será que Darwin diria ou pensaria ao ver um cão pintado de rosa, com as unhas feitas, em uma bolsa da Louis Vuitton, com óculos escuros e colar de ouro no pescoço, ou, um cão que foi ensinado a odiar outros cães para participar de rinhas.Procure entender o significado dos comportamentos que se expressam no seu cão, entenda que se zangar com ele minutos depois que ele fez algo que você não aprova, de nada adiantará, só adiantará para criar conflitos na mente canina dele. E veja se aquilo que você não aprova é compátivel com a convivência com um cão.Enfim, educar um cão consiste antes de tudo em permitir-lhe viver uma vida de cão dentro de um ambiente humano, com harmonia e equilíbrio para todos, na conscientização e na aceitação de suas mútuas diferenças; em enriquecer sua vida e facilitar a coabitação fornecendo-lhe uma moralidade.Comprar livros de adestramento, fazer cursos de adestramento "consultoria para donos" irá te ajudar? Superficialmente eu diria que sim, mas eles não dão conta das questões que eu coloquei acima. E por favor, não caiam no erro de admirar quem vende "receitinhas de bolo", tomem cuidado com eles. Entendam que a relação dono - cão é permeada por muitos fatores comportamentais, sociais e afetivos, dentro de uma dinâmica em movimento e sempre em construção.

Ivan Chitolina - Educador Canino

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