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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A PSICOLOGIA CANINA. EXISTE? - Por Ivan Chitolina



A psicologia canina existe como ciência? Se ela existe, porque não existem cursos de graduação reconhecidos pelo MEC? Um psicólogo leva cinco anos para se formar e os “psicólogos caninos” se autonomeiam? Quais são os preceitos éticos de um “psicólogo canino”? E os profissionais que treinam outras espécies, não deveriam também carregar o título de psicólogo de aves de rapina, por exemplo? São questões que eu gostaria de levantar nesse texto e levá-los a refletir junto comigo. Começarei desmistificando o termo psicologia canina usada por muitos treinadores e também erroneamente oferecida em vários cursos.


De forma objetiva, a psicologia é a ciência que trata dos estados e processos mentais; analisa o conjunto dos traços psicológicos característicos de um individuo ou de um povo, uma comunidade, uma geração, etc. É a atividade psicológica ou mental característica de uma pessoa ou situação.

São vários os requisitos para que a psicologia exista como ciência. Classificarei apenas dois nesse texto.

1 – uma experiência muito clara da subjetividade privatizada; 2 – a experiência da crise dessa subjetividade privatizada.

A subjetividade privatizada são os pensamentos e significações não ditas que, ao longo de um processo psicoterapêutico, começam a ser significadas pelo cliente. Skinner conceituou a subjetividade privatizada como pensamentos encobertos.

Ainda é discutível a definição do objeto de estudo da psicologia, pois para alguns ela é a “ciência do comportamento”, para outros o “estudo da atividade mental” e para outros ainda é “o estudo do funcionamento cerebral”.

Se ainda é discutível a definição do objeto de estudo da psicologia, eu me pergunto: qual é o objeto de estudo de um “psicólogo canino”? Como analisar a subjetividade privatizada de um cão e comprovar cientificamente essa análise?

Se existem psicólogos caninos, eles deveriam estar preocupados em pesquisar cientificamente os processos psíquicos do cão e não os treinando e dando cursos para novos “psicólogos caninos”. Há quem diga que reabilita cães e treina pessoas, intitulando -se como ‘psicólogo canino’ ou “terapeuta canino”. Isso é assustador uma vez que este suposto profissional estaria humanizando os cães.

Mas não seria a “psicologia canina” uma pseudociência? E o que é a pseudociência?

“A pseudociência é mais fácil de ser inventada que a ciência, porque os confrontos perturbadores com a realidade, quando não podemos controlar o resultado da comparação, são evitados mais facilmente. Em parte por essas mesmas razões, é muito mais fácil apresentar a pseudociência em público em geral do que a ciência.

É natural que as pessoas experimentem vários sistemas de crenças, para ver se têm valia. E, se estamos bastante desesperados, logo nos dispomos a abandonar o que pode ser visto como a pesada carga do ceticismo” (Carl Sagan).

A pseudociência é extremamente comum no meio de treinadores de cães.

Continuaremos com as palavras de Carl Sagan –

“A pseudociência fala às necessidades emocionais e poderosas que a ciência freqüentemente deixa de satisfazer. Nutre as fantasias sobre poderes pessoais que não temos e desejamos ter” como aqueles atribuídos aos super-heróis das histórias em quadrinhos, ( ou, como eu posso dizer em complementação, como a mídia ultimamente tem tratado a imagem dos treinadores de cães para satisfazer apenas os seus índices de audiência). “Em algumas de suas manifestações, oferece satisfação para a fome espiritual, curas para as doenças, promessas de que a morte não é o fim. Renova nossa confiança na centralidade e importância cósmica do homem”.

Pseudociência é mais fácil de vender do que a ciência.

Não há dúvida de que a “psicologia canina” deva ser vista como pseudociência.

É um desafio para qualquer “psicólogo canino” provar que ela existe, passando por toda a rigorosidade da metodologia cientifica.

Compreender o comportamento dos cães e saber utilizar as técnicas que o comportamentalismo (behaviorismo) fornece para treinar um cão é uma obrigação de qualquer treinador que se preze. Mas, isso não o torna um “psicólogo canino”, mas, sim, num bom treinador, consciente do seu treino e de suas responsabilidades.

Para os “psicólogos caninos”, o desafio está lançado, sintam-se a vontade.

Ivan Chitolina - Educador Canino

4 comentários:

Claudia Estanislau disse...

Eu realmente estudo o comportamento dos cães. Um motivo pelo qual eu não uso nem gosto do termo psicólogo canino prende-se porque os cães tão simplesmente não têm uma psique que possa ser analisada, como tal psicólogos de cães não existem. Existem comportamentalistas caninos, pessoas que através do "Behaviourismo" estudam o comportamento animal, do cão em especial e o aplicam para ajudar o cão a ultrapassar e alterar o seu comportamento. Agora psicólogos essa não cola!

Ivan Chitolina disse...

Olá Claudia, tudo em ordem? Não preciso dizer que concordo com você. Infelizmente a mídia e muitos treinadores se apoderaram desse título (psicologo canino - psicologia canina), apenas visando o mercado e um "status" diferente de um adestrador ou treinador. O único problema é que não existe psicologia canina rs...
Abraço

vou ver disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adestramento de Obediencia disse...

Oi Ivan! Tudo bem ? Ja conversamos ha algum tempo atras. Concordo contigo que nao existem Psicólogos Caninos e sim estudiosos do comportamento canino mas acredito que o termo esta sendo usado como uma tradução do que eh usado em programas de televisão o que da acesso ao publico ao assunto em questão. Eu nao gosto do termo ate porque como vc mesmo disse um psicologo leva 5 anos para se formar, e eu nao tenho essa formação mas eu uso o termo para chamar a atenção sim porque eh o que as pessoas procuram em suas pesquisas. Me considero uma pessoa que trabalha com comportamento e através de exercícios corrijo tais comportamentos nao adequados ao convívio com os humanos.Ao ser contatada por um possível cliente explico como funciona o meu trabalho e como procedo, ai então fica a critério do cliente aceitar meu trabalho ou procurar outro profissional.