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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Estudo Sobre o Cão como Fumante Passivo



Um novo estudo mostra que animais domésticos também são vítimas dos problemas causados pelo hábito de fumar de seus donos. O médico veterinário Marcello Roza, autor da pesquisa, examinou durante dois anos 30 cães da raça York Shire, sendo que metade deles pertencia a donos que tinha por hábito fumar pelo menos 20 cigarros por dia. Inicialmente, os animais, 18 machos e 12 fêmeas, passaram por um exame de dosagem da enzima cotinina, um teste feito com a urina para comprovar ou descartar a exposição dos cães à nicotina e ao alcatrão, substâncias tóxicas presentes na fumaça do cigarro. “Isso foi feito para mostrar que tais substâncias estavam presentes no organismo dos animais, uma vez que existia a possibilidade de o cão viver em uma casa de fumantes, mas não ingerir a fumaça”, disse Roza. Em seguida, após uma anestesia geral, os animais foram submetidos a um lavado bronco alveolar, exame em que foi colocado soro fisiológico no pulmão para a retirada de células do órgão. “Verificamos, no material colhido, alterações significativas e prejudiciais aos animais”, disse o autor da pesquisa. “A primeira alteração foi o aumento de duas células de defesa, os linfócitos e os macrófagos, além de detectarmos a presença de antracose”, disse. Roza explica que a antracose é uma alteração perigosa, precursora de outros problemas pulmonares.
Com base nas informações obtidas, o pesquisador verificou que, apesar de ainda não terem desenvolvido doenças clínicas sérias, a grande maioria dos cães considerados fumantes passivos apresentava problemas de saúde que poderiam gerar graves complicações no futuro, como, por exemplo, o desenvolvimento de câncer de pulmão. “Oito animais apresentaram antracose, enquanto não foi verificada nenhuma alteração pulmonar nos 15 cães que serviram como controle”, conta. O estudo, o cão como fumante passivo: efeitos da exposição à fumaça ambiental de cigarro em cães domésticos, autorizado pela Comissão de Ética em Pesquisa Animal do Instituto de Ciências Biológicas (IB), da Universidade de Brasília (UnB), foi apresentado como dissertação de mestrado na Faculdade de Medicina da UnB, orientada pelo chefe de pneumologia do Hospital Universitário de Brasília, Carlos Alberto Viegas.


Fonte: Agência FAPESP

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